Brasil bloqueado pela os caminheiros

  • Versões de diversos setores não acabam só na diminuição no preço do combustível, em vários âmbitos se solicita terminar com a corrução e até se insta para implantação da “intervenção militar” no pais
  • Greve de autônomos é reforçada com adesão de transportadoras

BRASÍLIA  – As empresas transportadoras de carga aderiram na quarta-feira ao movimento dos caminhoneiros, que até então era predominantemente conduzido pelos autônomos, elevando para mais de 1 milhão de cami nhões a adesão à paralisação, disse nesta quinta o presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes.

“As empresas aderiram por conta do preço dos combustíveis e também porque seus caminhões não conseguem circular”, disse Lopes, em entrevista para reiterar que a paralisação da categoria só será encerrada quando a isenção da alíquota do PIS/Cofins sobre o diesel, já aprovada pela Câmara dos Deputados, seja publicada no Diário Oficial da União.

Desabastecimento e prejuízos

A Abcam disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que a paralisação só será encerrada quando a medida, que ainda precisa ser analisada pelo Senado, for sancionada pelo presidente Michel Temer e publicada no DO.

A paralisação dos caminhoneiros entrou no quarto dia nesta quinta-feira, com bloqueios em estradas de todo país que provocaram desabastecimento de produtos e enormes filas de motoristas em postos de combustíveis, apesar de a Petrobras ter anunciado na véspera uma redução de 10 por cento dos preços do diesel nas refinarias por 15 dias.

Diversos setores da economia já relatam desabastecimento e prejuízos na exportação.

Na noite de quarta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei da reoneração da folha de pagamento de alguns setores da economia, incluindo uma isenção de PIS/Cofins sobre o diesel, algo demandado pelos caminhoneiros.

Representantes do movimento, que participaram de reunião no Palácio do Planalto na tarde de quarta-feira, saíram reclamando da falta de soluções do governo para o impasse e rejeitaram um pedido de trégua do presidente Temer.

Segundo o presidente da Abcam, José da Fonseca Lopes, a medida tomada pela Petrobras “não resolve”.

“Vai levar uma semana ou mais até normalizar as entregas… Por isso que essa atitude da Petrobras não ajudar a gente em nada. Quando começarmos a atividade a todo vapor, já se passaram esses 15 dias”, disse Lopes em entrevista à rádio Bandnews.

A Petrobras adotou a partir de julho do ano passado uma política de reajustes quase que diários nos preços dos combustíveis nas refinarias, em linha com o mercado internacional e câmbio. De lá para cá, o valor do diesel já avançou mais de 30 por cento, enquanto o da gasolina, mais de 45 por cento.

“Não queremos que aumente o combustível diariamente. O governo tem de encontrar uma forma de fazer mensalmente ou trimestralmente”, acrescentou Lopes.

È procedente assinalar que a informação foi fornecida pela Reuters. Por Alberto Alerigi Jr. e Marcelo Teixeira e Leonardo Goy. Edição para OIPOL, Luján Frank Maraschio.

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