O presidente argentino convoca lutar contra la corrupção

Justiça tem que demonstrar que “não há impunidade” no país

A Foto do Diario de Buenos Aires
Presidente da Argentina, Mauricio Macri

Rio de Janeiro – O presidente da Argentina, Mauricio Macri, disse o dia 3 de agosto que é necessário que a Justiça demonstre que “não há impunidade” no país e revele, se for pertinente, o caso de corrupção no qual se investiga se empresários e ex-funcionários e ex-agentes públicos formaram uma rede de propina durante os governos de Cristina e Néstor Kirchner.

“Nos últimos dias, vimos notícias que, se forem confirmadas, se a Justiça as confirmar, são muito negativas em termos de consolidar confiança”, declarou o presidente, durante um ato realizado na cidade de Bernal, na província de Buenos Aires, no qual anunciou créditos para aposentados e beneficiados de programas sociais.

Macri se referiu diretamente a um suposto esquema de corrupção que envolveria a ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015), que atualmente é senadora, e seu falecido marido, o também ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007).

O escândalo foi investigado pelo jornal “La Nación” com base nas anotações detalhadas em cadernos feitas pelo motorista de um dos ex-funcionários envolvidos e que desembocou esta semana em uma ação judicial comandada pelo juiz Claudio Bonadio.

“O que vocês ouviram sobre esses cadernos e todas essas coisas torna difícil acreditar que podemos todos juntos construir uma Argentina diferente, em que todos estão dentro da lei, fazendo as coisas da mesma maneira. É difícil”, assinalou Macri.

O presidente também considerou que, se não se tivesse ocorrido uma mudança de governo em dezembro de 2015, o caso “não teria vindo à tona” porque, nem os jornalistas, nem Bonadio, teriam “liberdade” para investigar.

“Por isso, precisamos hoje, mais do que nunca, que a Justiça nos diga se isto é verdade e nos mostre que não há impunidade. Porque precisamos acreditar, precisamos confiar em nós mesmos, que vamos mudar essa situação”, afirmou Macri.

Nesse sentido, o presidente insistiu que a “enorme maioria” dos argentinos quer progredir através de seu trabalho sem que nada lhe seja “presenteado”, mas ainda existe uma minoria que pensa de outra forma.”A mudança significa é que não queremos uma sociedade onde alguns acreditam ser os donos da verdade e muito menos os donos do poder (…). Não queremos mais comportamentos arrogantes, prepotentes, mafiosos: queremos que realmente todos nos comportemos dentro da lei.”

Macri defendeu a necessidade de avanço do projeto da denominada lei de extinção de domínio dos bens provenientes do crime, que foi aprovada pela Câmera dos Deputados em junho de 2016 e, desde então, está pendente de apreciação no Senado. “O que está acontecendo é doloroso”, afirmou Macri, antes de indicar que essa lei permitiria aos cidadãos recuperar “o dinheiro” que lhes foi “roubado.”

É procedente assinalar que a informação foi facilitada pela Agência Brasil (EBC). Edição para OIPOL, Luján Frank Maraschio.

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