Nicolás Maduro começa novo mandato em Venezuela

  • O chefe do regímen será considerado internacionalmente como um ditador, após uma eleição amplamente boicotada em 2018, descrita por governos de vários países do mundo como uma farsa
Foto Facebook Nicolás Maduro Oficial
Nicolás Maduro (izq.)

Caracas – O ditador comunista da Venezuela, Nicolás Maduro, começará um novo mandato nesta quinta-feira apesar das críticas internacionais ao processo de sua reeleição, isolando ainda mais o país que atravessa uma crise econômica que provocou uma emergência humanitária.

Líderes do governista Partido Socialista têm rejeitado as críticas à reeleição de Maduro, que permanecerá no comando do país membro da Opep até 2025, e convocaram manifestações de apoio ao presidente pelas redes sociais.

Líderes da oposição, entretanto, têm retratado a posse desta quinta-feira como o momento em que Maduro será considerado internacionalmente como um ditador, após uma eleição amplamente boicotada em 2018, descrita por governos de vários países do mundo como uma farsa.

Mas o apoio contínuo das Forças Armadas, o caráter fragmentado da oposição e a severa repressão de críticos faz com que Maduro enfrente poucos desafios em casa, apesar da indignação internacional.

“Eles tentaram transformar uma cerimônia de posse constitucional em uma guerra mundial”, disse Maduro durante coletiva de imprensa na tarde de quarta-feira. “Mas, faça chuva, trovões ou raios, nós vamos triunfar”.

A cerimônia acontecceu às 10h (12h no horário de Brasília) da quinta-feira 10 de janeiro.

O triunfalismo de Maduro ecoa o de seu predecessor, o falecido líder socialista Hugo Chávez, que usou rendas de petróleo para encher a Venezuela de bens de consumo, enquanto fornecia alimentos e medicamentos altamente subsidiados.

Esse cenário, no entanto, se contrasta acentuadamente com a Venezuela de hoje.

A inflação está rapidamente se aproximando do marco de 2 milhões por cento, fazendo com que o salário mínimo do país valha menos do que uma dúzia de ovos. Cerca de três milhões de pessoas emigraram desde 2015 —muitos a pé— fugindo das crescentes taxas de desnutrição e enfermidades, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU).

Notas de dinheiro que antes pagavam meses de compras agora são jogadas em latas de lixo, guardadas em inúteis pilhas ou até entrelaçadas em coloridas bolsas femininas comercializadas por vendedores de rua.

No ano passado, Maduro foi reeleito apesar do caos econômico em grande parte porque a oposição boicotou a eleição, na qual ativistas do Partido Socialista abertamente compraram o voto de moradores de áreas próximas às seções de voto.

Países de todo o mundo rejeitaram a votação, incluindo os Estados Unidos e vizinhos da Venezuela na América Latina, deixando Maduro com o apoio de um pequeno grupo de governos de esquerda.

Ativistas da oposição convocaram protestos para esta quinta-feira. Em resposta, autoridades encheram as ruas de postos de verificação policial e tropas armadas com fuzis.

É procedente assinalar que a informação foi facilitada pela Reuters. Reportagem adicional de Tibisay Romero, em Valencia; Anggy Polanco, em San Cristobal; e Mariela Navas, em Maracaibo. Edição em idioma português para OIPOL, Luján Frank Maraschio.

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