Marinhas de 15 países conferenciaram no Rio de Janeiro

  • O evento 2019, foi uma oportunidade para trocar experiências entre as marinhas, encontrar soluções para políticas de defesa naval e obter informações sobre novos recursos e meios.
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A Conferência Anual Latino-Americana sobre Navios Patrulha Oceânicos e Navios de Guerra, em sua oitava edição, reuniu no Rio de Janeiro representantes da marinha de 15 países. (Foto: Nelza Oliveira, Diálogo).

O Brasil sediou mais uma vez a Conferência Anual Latino-Americana sobre Navios Patrulha Oceânicos e Navios de Guerra. A oitava edição reuniu no Rio de janeiro, de 25 a 27 de junho de 2019, representantes das marinhas de 15 países, entre eles Argentina, Estados Unidos, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Nicarágua, Peru e Uruguai. Esta é a quarta vez que a conferência acontece no Brasil, desde o seu lançamento em 2012. As outras edições foram realizadas na Colômbia, em 2014, Equador, em 2015, Peru, em 2016, e Chile, em 2017. O Brasil foi sede em 2012, 2013 e 2018.

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A conferência, apoiada pela Marinha do Brasil, contou com 130 convidados, entre militares e representantes de empresas do setor de construção e de produtos de segurança e defesa naval. (Foto: Nelza Oliveira, Diálogo).

A conferência, apoiada pela Marinha do Brasil (MB), contou com 130 convidados, entre militares e representantes de empresas do setor de construção e de produtos de segurança e defesa naval. O encontro teve por objetivo propor soluções para o desenvolvimento de políticas de defesa naval, oferecer informações sobre novos recursos e meios, além de troca de experiências entre as marinhas ao redor do mundo.

Militares brasileiros abriram o evento fazendo um panorama sobre a MB. O Vice-Almirante da MB José Augusto Vieira da Cunha de Menezes, comandante em chefe da Esquadra, lembrou que a força tem a responsabilidade de proteger a chamada Amazônia Azul, área no mar de 3,5 milhões de quilômetros quadrados que concentra as riquezas minerais e petrolíferas brasileiras.

Novos navios a caminho

O V Alte Cunha citou o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), por meio do qual estão sendo construídos quatro submarinos convencionais e um com propulsão nuclear, como fundamental para cumprir essa missão.

“Mas a Marinha do Brasil não é apenas war fight, de guerra; é uma marinha que desenvolve programas sociais, ajuda no desenvolvimento da indústria de defesa, tem compromissos com convenções internacionais e atua em missões de busca e salvamento”, disse o V Alte Cunha. “A Marinha do Brasil precisa de navios comprovadamente já testados, bom de mar e com alta tecnologia, confiáveis, para que cumpramos todas as nossas milhares de tarefas e missões.”

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O Vice-Almirante da MB José Augusto Vieira da Cunha de Menezes, comandante em chefe da Esquadra, lembrou que a força tem a responsabilidade de proteger a chamada Amazônia Azul. (Foto: Nelza Oliveira, Diálogo)

Para o Contra-Almirante Hermann Ibere Boehmer, superintendente de Compras e Gestão de Programas da MB, o Projeto Classe Tamandaré, que trata da construção no Brasil de quatro corvetas, é o mais importante projeto para revitalizar a frota atual da MB. “Nossas embarcações necessitam de renovação. Temos 11 navios de superfície em idades avançadas, em média de 36 anos. Com exceção da Corveta Barroso, todos têm mais de 20 anos de operação”, afirmou o C Alte Ibere, lembrando que a entrega das modernas corvetas classe Tamandaré está prevista para a partir de 2024. 

Parceria no combate a ameaças comuns

A maioria dos palestrantes reforçou a importância das participações dos militares em missões internacionais, do adestramento com outras marinhas e da troca de experiência e colaboração entre os países para combater os perigos que ameaçam a segurança na região.

“A Marinha do Uruguai é bastante conhecida pelo seu compromisso com as missões de paz, mesmo tendo uma armada com menos de 5.000 homens. Nos últimos anos, participamos de várias missões internacionais; temos duas bases na Antártida e ainda realizamos missões de busca e resgate marítimo, controle de fronteiras e controle de águas jurisdicionais, área que equivale a duas vezes a superfície do país”, lembrou o Contra-Almirante (R) da Marinha Nacional do Uruguai Ricardo Della Santa, comandante em chefe da Esquadra.

A busca por mais renovação da frota da Marinha Nacional do Uruguai foi outro tema abordado pelo C Alte Della Santa. Para superar o desafio do orçamento, o oficial afirmou que o Uruguai avalia adquirir navios de outros países, incluindo as Corvetas da Classe Inhaúma do Brasil. “Hoje mesmo, nesse primeiro dia de reunião, fiz interessantes contatos para projetos que pretendemos levar adiante e possivelmente encontraremos colaboradores aqui para torná-los realidade”, enfatizou o C Alte Della Santa. A conferência é uma ótima forma de encontrar soluções para essas questões.

O Capitão de Mar e Guerra José Jorge Fortín Aguilar, chefe da Força Naval de Honduras, lembrou as dificuldades encontradas para proteger toda a extensão de fronteira marítima de seu país e afirmou que a prioridade é o combate ao tráfico de drogas. “De janeiro a junho de 2019, foram efetuadas 35 prisões, apreendidos 223 quilos de cocaína e 69 kg de pasta de coca. Precisamos de mais pessoal, novas embarcações e adestramentos para cumprir a missão. Está sendo construído um patrulheiro costeiro que será entregue em dezembro”, contou o CMG Fortín.

A conferência finalizou com um tour dos participantes ao Navio Patrulha Oceânico P120 Amazonas, incorporado à MB em 2012 para atender às necessidades de fiscalização da Amazônia Azul, com grande autonomia e capacidade de operar com um helicóptero e lanchas.

É procedente assinalar que a informação foi facilitada pela Nelza Oliveira/Diálogo. Edição, Área Jornalística OIPOL.

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