Governo interino de Bolívia acusa Cuba e Venezuela de serem agentes desestabilizadores

  • Ex-presidente Evo Morales promove a violência a partir do exterior, opinam especialistas
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Um partidário do ex-presidente boliviano Evo Morales lança gás lacrimogêneo contra a polícia de choque, durante um protesto contra o governo interino, em La Paz, no dia 15 de novembro de 2019. (Foto: Ronaldo Schemidt / AFP)

A efervescência política e social na Bolívia continua aumentando, principalmente em La Paz, onde, segundo a Defensoria do Povo, já causou a morte de dezenas de pessoas e mais de 500 detidos.

Em meio ao caos e ao vandalismo generalizado, o novo governo interino acusou Cuba e Venezuela de serem agentes desestabilizadores e anunciou o rompimento das relações diplomáticas com Caracas, a saída da União das Nações Sul-Americanas e da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América, além da retirada da brigada médica cubana do país.

Ao mesmo tempo, o Departamento de Estado dos Estados Unidos mantém a advertência a seus cidadãos de não viajarem ao país andino.

Em entrevistas à Voz da América, um grupo de especialistas destacou que o ex-presidente Evo Morales, a partir do seu exílio no México, é o principal promotor da violência que oprime a Bolívia.

Segundo o Dr. Eduardo Gamarra, professor de ciências políticas da Universidade Internacional da Flórida, “a violência que ocorre na Bolívia se deve em grande parte às ações, reclamações, apelos e convocações do ex-presidente Evo Morales. Mesmo exilado no México, ainda que por um lado se fale de paz e pacificação, o que seus seguidores estão fazendo, em algumas partes da Bolívia, é exatamente o contrário”, explicou. Gamarra também disse que “a paz na Bolívia, no momento, depende do que o ex-presidente diga no México; ele não precisa estar na Bolívia para pacificar seus seguidores”.

Golpe de Estado ou apego à constituição?

Os seguidores de Morales, inclusive líderes políticos internacionais e dos Estados Unidos, classificaram sua saída do poder como um golpe de Estado comandado pelas Forças

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A polícia de choque boliviana prende partidários do ex-presidente Evo Morales durante uma manifestação contra o governo interino, em Sacabam, província de Chapare, no estado de Cochabamba, no dia 15 de novembro de 2019. (Foto: STR / AFP)

Armadas e questionam a legitimidade da presidente interina, Jeanine Áñez. Morales alegou ter sido pressionado a abandonar o poder pelo então chefe militar, o General de Exército Williams Kaliman.

No entanto, para o diretor jurídico da Human Rights Foundation, Javier El-Hage, a constituição da Bolívia contradiz a denúncia de Morales. “De acordo com a constituição boliviana, em casos de abandono por parte do presidente, é preciso ativar a sucessão constitucional”, disse El-Hage.

O ex-presidente Carlos Mesa, do partido oposicionista Aliança Comunidade Cidadã, que disputou com Morales as eleições de 20 de outubro, reconheceu Áñez como a presidente interina e solicitou a realização de novas eleições.

Direto ao coração da democracia

O Dr. Williams Bastopé, advogado constitucionalista e defensor dos povos indígenas, garantiu que não houve golpe de Estado na Bolívia.

“Foi um autogolpe. Foi justamente o presidente Evo Morales que cometeu a fraude. Todos sabíamos que Evo Morales não venceria em um segundo turno. No entanto, depois que a contagem de votos misteriosamente parou por 22 horas, aparece Morales com 10 por cento de vantagem. Ou seja, todos nós suspeitamos. E eu havia advertido que se isso ocorresse, era uma fraude diretamente contra o coração da democracia”, disse.

Não é um problema de luta de classes

Desde o México, Morales disse ao jornal El País que o caos que agita a Bolívia é uma luta de classes, que “deram um golpe de Estado para preservar a classe rica”.

Gamarra não concorda com essa declaração. “A alegação do [ex-]presidente de que houve um golpe porque ele é indígena é absolutamente falsa e creio que está causando um grande dano aos grupos indígenas bolivianos. O [ex-]presidente primeiro violou a lei, por isso renunciou. Creio que simplesmente chegar no México e dizer que a Bolívia é racista porque os brancos o tiraram do poder não é apenas falso, mas também mostra uma narrativa que afeta muito o grande progresso que a Bolívia conquistou nos últimos 13 anos, precisamente pelo que o presidente Morales havia realizado.”

Reconciliação e povos indígenas

Os especialistas concordam que o país só conquistará a paz social quando houver um acordo nacional. Segundo o ex-presidente Morales, os movimentos cívicos perderão representação na tomada de decisões agora que ele está fora do poder.

Esse ponto de vista foi refutado por Bascopé.

“Primeiramente, eu participei da Assembleia Constituinte na equipe de redação, representando os povos indígenas. Quem lhes fala é também mestiço aymara. Evo Morales perdeu muito apoio dos povos indígenas, dos produtores rurais, e não é mais aquele Evo Morales de cerca de 10 anos atrás”, garantiu.

“Ontem três cubanos foram apanhados em El Alto com mais de 700.000 bolivianos, justamente para financiar os protestos. E em Cochabamba foi apanhado um membro das FARC [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia] envolvido nessas manifestações. Pode-se imaginar até que ponto Evo Morales caiu, ao trair todos os povos indígenas e o povo boliviano”, concluiu Bascopé.

É procedente assinalar que a informação foi facilitada por Gonzalo Abarca / Voz da América / Dialogo. Edição, Área Jornalística OIPOL.

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