Inauguram o primeiro sistema de vigilância inteligente de fronteiras da América Latina

  • Argentina erige os equipamentos que serão essenciais para combater o tráfico de drogas que vêm da Bolívia e do Paraguai.
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A ministra de Segurança da Argentina Patricia Bullrich (centro) e o secretário de Segurança Eugenio Burzaco (à sua direita), participam da inauguração dos sistemas móveis do Sistema de Vigilância Integrada de Fronteiras, no dia 1º de outubro de 2019, no Heliporto da Prefeitura Naval, em Buenos Aires. (Foto: Ministério da Segurança)

A Argentina deu mais um passo na luta contra o narcotráfico, ao incorporar os sensores móveis do Sistema de Vigilância Integrada de Fronteiras. Os aparelhos, inaugurados no dia 1º de outubro de 2019, são somados a uma estrutura já instalada de sensores fixos, radares, veículos e navios de patrulha, formando o primeiro sistema de vigilância inteligente da região.

“A tecnologia vem de Israel e é muito similar à que os Estados Unidos usam em suas fronteiras”, disse Eugenio Burzaco, secretário de Segurança da Argentina.

O sistema opera com quatro Centros de Comando e Controle, situados no norte, nas localidades de La Quiaca, Salvador Mazza, Aguas Blancas e Porto Iguaçu, na Tríplice Fronteira. “São quatro centros informatizados que coletam imagens, bases de dados e relatórios tecnológicos provenientes de diferentes fontes, como drones, satélites, sensores ou lanchas de artilharia”, declarou Burzaco.

Alguns drones voam sobre determinados territórios, outros são como globos aerostáticos, pois estão conectados por cabo a um ponto fixo. O sistema também utiliza câmaras térmicas com visão noturna de até 6 quilômetros e radares que penetram na folhagem.

As quatro lanchas de artilharia patrulham o Rio Paraná, uma das principais portas de entrada da maconha no país. “Todos esses elementos móveis e fixos emitem informações aos Centros de Comando e Controle, os quais, diante de certas situações, acionam as equipes da Gendarmaria [que patrulham as fronteiras] ou da Prefeitura Naval [serviço de guarda-costas]”, afirmou Burzaco. “Essas situações podem ser desde um voo ilegal que entra no espaço aéreo argentino até pessoas que entram por uma passagem ilegal na fronteira.”

Fronteira quente

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Eugenio Burzaco, secretário de Segurança da Argentina, diz que os novos sensores protegerão a “fronteira quente” com a Bolívia e o Paraguai, por onde passa a maior parte da droga que entra no país. (Foto: Ministério da Segurança)

Os novos sensores protegerão a “fronteira quente” com a Bolívia e o Paraguai, de onde vêm mais de 85 por cento das drogas que entram na Argentina. “Principalmente a cocaína e a maconha entram por essa fronteira”, disse Burzaco. As metanfetaminas, o êxtase e outras drogas sintéticas vêm da Europa ou utilizam esses mesmos circuitos logísticos usados para a cocaína e a maconha.

A “fronteira quente” tem pouco mais de 2.000 km e é seca em muitos pontos. “Isso faz com que seja muito permeável e que não possa ser controlada apenas com recursos humanos”, ressaltou o secretário.

Força Aérea

O sistema de vigilância permite a detecção e identificação de alvos, que geram alarmes automáticos. A partir de cada alarme, as forças militares ou de segurança atuam, segundo sua jurisdição. “Quando o avião ilegal está no ar, está sob a jurisdição da Força Aérea Argentina (FAA)”, disse Burzaco. “Quando essas pequenas aeronaves aterrissam ou retiram a carga, intervêm as forças de segurança, principalmente a Gendarmaria.”

A FAA concentra a informação do sistema de radares na Base Aérea Militar de Merlo, na província de Buenos Aires, que retransmite essa informação aos Centros de Comando e Controle. Membros da Prefeitura, da Polícia Federal e da Polícia de Segurança Aeroportuária também atuarão nos centros para integrar a informação.

Grupos criminosos

Burzaco destacou a cooperação entre os países latino-americanos contra o narcotráfico. “Nos últimos anos, por exemplo, trabalhamos com o Paraguai erradicando cultivos de maconha, que é outra medida útil para evitar que a droga chegue à Argentina”, explicou. “O grande problema da região hoje é o avanço dos grupos criminosos, que vão assumindo novas capacidades nocivas, como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho.”

Ambas as organizações atuam no Brasil e em países vizinhos como a Bolívia, Colômbia, Paraguai e Peru. “A presença desses grupos representa maiores desafios aos nossos países, para que tenhamos mais controle nas zonas críticas das fronteiras”, completou Burzaco.

É procedente assinalar que a informação foi facilitada por Eduardo Szklarz / Diálogo. Edição, Área Jornalística OIPOL

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