Militares argentinos enfrentam desafios da guerra cibernética

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Membros do Comando Conjunto de Ciberdefesa do Estado-Maior das Forças Armadas Argentinas vigiam o ciberespaço para a segurança nacional. (Foto: Comando Conjunto de Ciberdefesa da Argentina)

Em um prédio de Puerto Madero, um bairro litorâneo de Buenos Aires, militares vigiam sem descanso os monitores de seus computadores. Recusa de serviço (DDoS, em inglês), neutralização do antivírus ou propagação de dados confidenciais são alguns dos ataques que os militares das Forças Armadas Argentinas tentam evitar, como parte de suas funções no Comando Conjunto de Ciberdefesa (CCCD), órgão do Estado-Maior Conjunto criado em 2014.

Diferentemente dos seus colegas que atuam no terreno, os membros do CCCD enfrentam ataques em um âmbito de operações conhecido como o quinto domínio ou ciberespaço, que complementa as dimensões clássicas: terra, ar, mar e espaço. Seu objetivo é detectar as ameaças e administrar os riscos de ataques cibernéticos contra a infraestrutura de informática, crucial para o cumprimento das missões militares, e os sistemas de serviços essenciais para a segurança nacional (como os sistemas de armas, as redes de energia, as centrais nucleares ou os sistemas financeiros) e, na ocorrência de um ataque, recuperar as capacidades rapidamente.

“Estamos preparados para enfrentar os diferentes eventos que possam vir de um Estado, uma organização não governamental, indivíduos com intenções de obter lucro ou de hackear [infiltrar sem autorização os sistemas informáticos], simplesmente para se tornarem famosos”, disse à Diálogo o General de Brigada do Exército da Argentina Tomás Moyano, comandante do CCCD.

Na medida em que a tecnologia avança, as ameaças à segurança dos meios informáticos aumentam, com inimigos cujos métodos se transformam em busca de novas vulnerabilidades. O desafio é grande.

Em agosto de 2019, por exemplo, um pirata da informática, conhecido como hacker, burlou a segurança do sistema de dados da Polícia Federal Argentina e tornou públicos 700 GB de dados incluindo informação sigilosa, investigações criminais em curso e informação pessoal de agentes policiais. Ele também se apropriou da conta no Twitter da Prefeitura Naval Argentina, divulgando informações falsas (como ataques a navios argentinos por mísseis britânicos) e mensagens agressivas.

Esses eventos, explicou à Diálogo Claudio Pasik, diretor da empresa argentina de cibersegurança NextVision, evidenciam dois tipos de preocupações: a pirataria e a divulgação de informações confidenciais que podem pôr em risco a segurança de agentes da ordem, bem como a publicação de informações falsas através de fontes confiáveis (como as contas de autoridades governamentais), o que pode afetar a estratégia de defesa nacional.

O tuíte falso não teve repercussões graves, mas o uso de perfis de confiança para difundir informações falsas pode causar efeitos de grande alcance. Em 2013, por exemplo, o ataque cibernético à conta no Twitter da agência de notícias Associated Press – informando que o então presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, havia sido ferido durante um atentado a bomba na Casa Branca – causou uma queda do mercado de valores, segundo dados do jornal The Financial Times.

“As ameaças são cada vez mais sofisticadas e complexas”, disse Pasik. “Cada vez mais há dispositivos diferentes que podem ser atacados dentro de uma empresa ou órgão estatal.”

Ainda que a Argentina não tenha sofrido ataques devastadores, como o ataque cibernético de junho de 2017 que paralisou a Ucrânia – afetando empresas de energia elétrica, aeroportos, bancos, sistemas de transportes e praticamente todas as agências federais do país –, a ameaça na região é real. O vírus NotPetya, cuja responsabilidade foi publicamente atribuída à Rússia pelos governos dos EUA e da Grã-Bretanha, também afetou vários outros países e companhias mundiais, como a empresa farmacêutica norte-americana Merck e a companhia de navegação dinamarquesa Maersk, informou a revista dos EUA WIRED em uma série de reportagens.

Segundo pesquisas realizadas em agosto de 2019 pela companhia internacional de Cibersegurança Kaspersky, a América Latina enfrentou 45 milhões de ameaças cibernéticas em 2018. O Brasil e o México lideram a lista dos países da região com mais tentativas de ataques. A Argentina, acrescentou a empresa, sofreu quase 50 ataques informáticos por minuto. Em uma entrevista à revista norte-americana Harvard Business Review, um assessor da Interpol para questões de crimes cibernéticos disse que 80 por cento dos hackers têm vínculos com o crime organizado.

Diante desses desafios, a Argentina busca reforçar suas capacidades de resposta. Em outubro de 2019, o Ministério da Defesa anunciou a criação do Centro Nacional de Ciberdefesa, que reunirá as plataformas e os sistemas de defesa do país como o CCCD, bem como a criação do Comitê Consultivo de Ciberdefesa para elaborar o planejamento estratégico militar no ciberespaço. Em junho, o CCCD também organizou o primeiro seminário de ciberdefesa na Argentina, reunindo especialistas regionais no tema.

“Estabelecemos três eixos centrais sobre os quais trabalhamos diariamente: o primeiro é a educação, o segundo é a identificação de recursos humanos aptos para atuar nesse âmbito e o terceiro é a integração, porque os recursos relativos aos conflitos cibernéticos, tanto públicos como privados, podem e devem trabalhar em conjunto”, concluiu o Gen Bda Moyano.

É procedente asilanar que a informação foi facilitada pelo Comando Sul dos Estados Unidos, Juan Delgado / Diálogo. Edição, Área Jornalística OIPOL.

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Área Inteligência OIPOL, estamos de prontidão. Investigações criminais, financeiras e comerciais no mundo…

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