A Organização dos Estados Americanos cria rede de antiterrorismo

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Soldados argentinos patrulham as ruas de Buenos Aires no dia 18 de julho de 2019, durante a comemoração do 25º aniversário do ataque com bomba contra o centro judeu AMIA. (Foto: Carol Smiljan / NurPhoto / AFP)

A rede busca evitar operações e financiamento dos grupos terroristas através do intercâmbio de informações entre as nações parceiras.

A Organização dos Estados Americanos (OEA) anunciou em outubro de 2019 a criação da Rede Interamericana contra o Terrorismo, com informações e alertas antecipadas sobre ameaças no hemisfério.

“Através da rede, as nações [parceiras] poderão compartilhar rapidamente os alertas sobre terrorismo, as notificações de ações de contraterrorismo e outras informações relevantes, uma capacidade que não existe atualmente”, disse à imprensa o embaixador especial Nathan A. Sales, coordenador de Contraterrorismo do Departamento de Estado dos Estados Unidos. “Foram detectadas atividades terroristas no continente, o que inclui arrecadação de fundos para o Hezbolá na Tríplice Fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai. Precisamos garantir que nos concentramos nas ameaças que afetam nossa vizinhança”, acrescentou Sales.

Esse projeto tem um prazo de execução de dois anos e será desenvolvido pelo Comitê Interamericano contra o Terrorismo (CICTE), criado há duas décadas pela OEA para prevenir e combater a violência no hemisfério por meio de redes de intercâmbio de informações, informou a OEA.

O objetivo do CICTE é fazer com que a rede seja operacional diante da possibilidade de maior atividade dos grupos terroristas na região, “ou que essas organizações se confrontem com redes criminosas, para [poder] frear suas fontes de recursos”, disse à Diálogo Yadira Gálvez, especialista em defesa e segurança e professora da Universidade Nacional Autônoma do México.

A criação da rede atende à necessidade expressada por vários países do hemisfério durante a II Conferência Ministerial Hemisférica de Luta contra o Terrorismo, organizada em julho pelo governo da Argentina em Buenos Aires, para gerar mecanismos eficientes no intercâmbio de informações, através de plataformas de comunicação seguras que possam detectar com antecipação as ameaças contra a população.

Os participantes da conferência consideraram que as organizações terroristas transnacionais Estado Islâmico (EI), Al-Qaeda e Hezbolá, e suas organizações afiliadas, são uma ameaça à segurança dos cidadãos dentro e fora dos seus territórios, informou à imprensa o Ministério de Relações Exteriores da Argentina. Por exemplo, em fevereiro de 2018 as autoridades de Trinidad e Tobago detiveram um grupo do EI que planejava realizar ataques durante as festividades do carnaval, acrescentou a instituição.

“Outros grupos que preocupam muito os países latino-americanos são os remanescentes do Exército de Libertação Nacional (ELN), das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e do Sendero Luminoso, no Peru, que combinam atividades do crime organizado com atentados terroristas”, finalizou Gálvez. “Os membros do ELN também mantêm presença em Cuba e na Venezuela.”

É procedente assinalar que a informação foi facilitada pela Julieta Pelcastre / Diálogo, Área Jornalística especializada de OIPOL.

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