Controle fronteiriço de grupos armados da Colômbia e Venezuela

  • Informe Human Rights Watch (HRW, em inglês)
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Os guerrilheiros do ELN guardam uma estrada na área de Perija, no norte da Colômbia, perto da fronteira com a Venezuela. (Foto: Rafael Guerrero / AFP)

Grupos armados da Colômbia e da Venezuela exercem um “controle social feroz” em ambos os lados da região de fronteira, na altura de Arauca e Apure, com a “conivência” de autoridades venezuelanas, disse a ONG Human Rights Watch (HRW, em inglês), no dia 22 de janeiro de 2020.

Durante a apresentação do relatório “Os guerrilheiros são a polícia”, o diretor para as Américas da organização, José Miguel Vivanco, denunciou as operações realizadas pelos guerrilheiros do Exército de Libertação Nacional (ELN), dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e das Forças Patrióticas de Libertação Nacional (FPLN), um grupo venezuelano de ideologia chavista.

Todos “têm força e capacidade para impor sua lei” e submeter a população a homicídios, tortura, extorsão, sequestro, recrutamento de menores, abuso sexual e trabalho forçado, acrescentou Vivanco.

De acordo com a investigação, tanto os rebeldes guevaristas do ELN quanto os dissidentes daquela que foi a guerrilha mais poderosa da América “movem-se com total facilidade, mantêm acampamentos em Apure e usam a Venezuela como retaguarda”.

Segundo o chefe da ONG, o grupo armado FPLN está concentrado em Apure.

Ainda que se desconheça seu tamanho e seu poder de fogo, a HRW garante que essa organização conta, em suas fileiras, com ex-membros dos denominados “coletivos” – grupos que a oposição considera um braço armado do chavismo – e que “atua em colaboração com autoridades e forças de segurança locais”.

A ONG, que não falou de alianças entre as três forças, documentou casos de trabalho forçado como castigo.

As vítimas são levadas a acampamentos na Venezuela, para em seguida serem obrigadas a executar tarefas agrícolas ou de alimentação para os combatentes.

Em Arauca vivem cerca de 44.000 venezuelanos, que em sua maioria fugiram da pior crise de sua história moderna, agravada pela hiperinflação e pelo desabastecimento.

Os migrantes saem “de uma ditadura violenta” e terminam em “uma situação de extremo risco” na Colômbia, afirmou Vivanco.

Uma fronteira porosa de 420 quilômetros separa o estado de Arauca do estado de Apure.

Com 240.000 habitantes do lado colombiano e 460.000 do lado venezuelano, a população vive em meio a altos índices de pobreza, apesar de estar em uma região petrolífera e de tráfico de drogas e contrabando para a Venezuela.

Segundo a HRW, “as autoridades de Arauca não estão em condições de administrar a justiça” e os militares colombianos na região têm como “prioridade principal” a “proteção” da infraestrutura da estatal Ecopetrol.

É ~procedente assinalar que a informação foi facilitada pela agencia AFP. Edição, Área Jornalística OIPOL.

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