ONU: Militares venezuelanos comandam grupo narcoterrorista

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O presidente da Venezuela Nicolás Maduro (centro), flanqueado por Diosdado Cabello (à esq.), rodeado por líderes militares, pronuncia um discurso durante um desfile militar em Forte Tiuna, em Caracas, no dia 13 de abril de 2019. No final de fevereiro de 2020, a Junta Internacional de Controle de Narcóticos reconheceu a existência do Cartel dos Sóis, uma rede de narcotráfico dirigida por altas autoridades militares e membros do regime de Maduro. (Foto: Yuri Cortez / AFP).

A Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (JIFE), órgão da Organização das Nações Unidas (ONU), confirmou em seu último relatório anual a existência do denominado Cartel dos Sóis, estrutura criminosa envolvida no tráfico de drogas e dirigida pelo alto comando militar da Venezuela, com o apoio do regime.

Essa é a primeira vez em que a JIFE mostra evidências da influência da máfia do narcotráfico, liderada por membros da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) e líderes do governo.

“Há indícios de que na República Bolivariana da Venezuela os grupos criminosos conseguiram se infiltrar nas forças de segurança do governo e criaram uma rede informal conhecida como o ‘Cartel dos Sóis’, para facilitar a entrada e a saída de drogas ilegais do país”, informou a JIFE em seu relatório de 2019, publicado no dia 27 de fevereiro de 2020.

Segundo a JIFE, nos últimos anos, o cartel venezuelano conseguiu enviar grandes quantidades de drogas ilícitas procedentes da Colômbia para os Estados Unidos e a Europa. O relatório acrescenta que, a partir da Venezuela, partem aeronaves carregadas com cocaína, que utilizam a Guatemala e Honduras como parte de sua rota em direção ao norte.

Ainda que o Cartel dos Sóis e a participação do alto comando da FANB sejam conhecidos desde a década de 1990, quando Hugo Chávez assumiu a presidência, o reconhecimento da existência do cartel pela organização intergovernamental tem uma certa importância.

“Existe um fato anterior a esse relatório. A JIFE divulgou um relatório há aproximadamente cinco anos, onde informava que 60 por cento da cocaína transportada para a Europa e os Estados Unidos passava pela Venezuela, sem indicar quem eram os responsáveis”, disse à Diálogo Diego Arria, diplomata venezuelano e ex-presidente do Conselho de Segurança da ONU. “O fato de que a ONU tenha dito, nesse relatório, que se trata das Forças Armadas da Venezuela, membro das Nações Unidas, é algo que não se pode negligenciar.”

As atividades criminosas de militares que pertenceriam ao Cartel dos Sóis – cujo nome se refere às insígnias em forma de sol que os generais venezuelanos usam nos ombros – vêm sendo apontadas pelo governo dos EUA há anos.

Por exemplo, em 2008, o Departamento do Tesouro dos EUA sancionou por narcotráfico os generais Hugo Armando Carvajal Barrios, ex-diretor da Direção Geral de Contrainteligência Militar, e Henry de Jesús Rangel Silva, ex-diretor da instituição que precedeu o Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional. Em 2016, o Departamento de Justiça dos EUA acusou Néstor Luis Reverol Torres, atual ministro do Interior, Justiça e Paz e ex-comandante da Guarda Nacional Bolivariana, de participar de uma conspiração internacional de distribuição de cocaína.

Membros do regime também foram apontados. Em 2018, o Departamento do Tesouro sancionou Diosdado Cabello, o segundo no comando do Chavismo, por tirar vantagem dos “seus cargos oficiais para se dedicar ao tráfico de entorpecentes, lavagem de dinheiro, desvio de fundos estatais e outras atividades de corrupção”. Em 2019, o Serviço de Emigração e Aduanas, do Departamento de Segurança dos EUA, incluiu Tarek el Aissami, ex-vice-presidente da Venezuela, em sua lista dos mais procurados por tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.

“Quando Chávez assumiu a presidência da Venezuela, deparou-se com as FARC [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia], com a ideologia política de esquerda baseada na Cuba comunista, e lhes abriu as portas com a quantidade de cocaína que pudessem transportar através da Venezuela, em parceria com funcionários de alto nível, militares e políticos, que são os responsáveis pelo selo de aprovação”, disse à Diálogo Jim Shedd, agente aposentado da Administração para o Controle de Drogas dos EUA, que desempenhou parte de suas funções na Colômbia. “Eles permitem que [os carregamentos] passem pela Venezuela, utilizando aviões e navios para transportar a cocaína com destino à Europa e aos Estados Unidos.”

De acordo com a organização de investigação InSight Crime, especializada em ameaças à segurança na América Latina e no Caribe, Aruba – a aproximadamente 20 quilômetros da Venezuela – também se tornou um importante ponto de trânsito para o narcotráfico. Por exemplo, no dia 25 de fevereiro, as forças de segurança de Aruba apreenderam mais de uma tonelada de cocaína em um navio com bandeira de Camarões, procedente da Venezuela e com destino à Grécia.

Em outubro de 2019, um rebocador com bandeira samoana, pertencente a uma empresa venezuelana, foi capturado em águas territoriais de Aruba com mais de 2 toneladas de cocaína a bordo. Seus cinco tripulantes venezuelanos também foram detidos.

“Nem todos os militares venezuelanos são narcotraficantes, mas é na cúpula onde se encontram os líderes do Cartel dos Sóis”, disse Arria.

É procedente assinalar que a informação foi facilitada por Steve McLoud, Revista Militar Diálogo. Edição, Área Jornalística OIPOL.

A Foto A ----
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