JIFE: Venezuela vinculada na produção de cocaína

COLOMBIA-COCA
Latas com diversos produtos para fazer pasta base de cocaína se encontram em um laboratório clandestino nas margens do rio Inírida, estado de Guavire, Colômbia, no dia 25 de setembro de 2017. Segundo especialistas e ONGs, a vizinha Venezuela deixou de ser somente um país de trânsito de drogas, para envolver-se também nas primeiras fases de sua produção. (Foto: Raúl Arboleda / AFP)

Para Javier Tarazona, diretor da ONG venezuelana Fundaredes, a presença de narcoterroristas colombianos em território venezuelano, especialmente as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o Exército de Libertação Nacional e o Exército Popular de Libertação, e seus vínculos com o Cartel dos Sóis, explica a evolução do país que passou de ponte do narcotráfico a produtor

A Venezuela já deixou de ser meramente um país de trânsito de drogas, pois os venezuelanos estão envolvidos nas primeiras fases da produção de cocaína, afirmaram especialistas venezuelanos e organizações não governamentais (ONGs).

A Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (JIFE), órgão das Nações Unidas, informou no seu relatório de 2019, publicado no dia 27 de fevereiro de 2020, que em 2018 foram detectados e desmantelados 33 laboratórios de processamento de cocaína no território venezuelano limítrofe com a Colômbia. Segundo a JIFE, em 2016 só haviam sido detectadas seis instalações similares.

“Além do cloridrato de cocaína, os traficantes também levam a pasta base de coca da Colômbia para processá-la fora do país, como provam as apreensões da substância ao entrar nas águas internacionais, bem como os confiscos da mesma efetuados em outros países da região”, informou a JIFE em seu relatório anual.

avier TarazonaJ, diretor da ONG venezuelana Fundaredes, dedicada à promoção dos direitos humanos e da democracia, explica que esse salto do número de laboratórios detectados na Venezuela é o resultado de uma “evolução”.

“Não se trata de esforços rudimentares ou improvisados. São grupos que têm a intenção de competir no mercado internacional e por isso criam bases na Venezuela”, disse Tarazona.

De acordo com Tarazona, está em andamento um “deslocamento dos encarregados dos cultivos ilícitos na Colômbia” para o território venezuelano, especialmente para as montanhas dos municípios do estado de Zulia: Jesús María Semprún, Catatumbo, Guajira, Losada e Machiques de Perijá. Essas são as localidades onde a Força Armada Nacional Bolivariana já informou a descoberta do maior número de laboratórios.

Mildred Camero, ex-presidente da Comissão Nacional contra o Uso Ilícito das Drogas na Venezuela (atual Comissão Nacional Antidrogas), informou que as mudanças não só têm relação com o uso do território nacional para a fabricação de drogas, mas também com a participação de venezuelanos nas diversas fases desse processo, desde o cultivo da coca até sua distribuição e comercialização.

“Há alguns setores da juventude venezuelana que estão envolvidos no cultivo da coca”, disse Camero. “São jovens que recebem até US$ 10 por cada bolsa de folha cultivada.”

Muitos desses jovens cruzam a fronteira para trabalhar nos plantios e colher as folhas de coca. Entretanto, segundo Camero, essa dinâmica “formará na Venezuela uma população dedicada ao cultivo no próprio país”.

“São desertores das escolas que a longo prazo podem criar um problema geracional com consequências para a estabilidade democrática do país”, alertou.

Além de indicar a Venezuela como um país que contribui para a produção de cocaína, no seu relatório a JIFE reconhece, pela primeira vez, a existência do Cartel dos Sóis, uma máfia do narcotráfico liderada pelo alto comando militar da Venezuela e por membros do regime de Nicolás Maduro. Para Tarazona, a presença de narcoterroristas colombianos em território venezuelano, especialmente as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o Exército de Libertação Nacional e o Exército Popular de Libertação, e seus vínculos com o Cartel dos Sóis, explica a evolução do país que passou de ponte do narcotráfico a produtor. A presença das guerrilhas colombianas e o apoio do regime, diz Tarazona, são alarmantes.

“O pior é que os líderes das FARC, como Iván Márquez e Jesús Santrich, entre outros, operam no Palácio de Miraflores, a cúpula do poder em Caracas, que os protege e financia, e os trata como ministros com escoltas”, disse Tarazona ao jornal espanhol ABC Internacional.

É procedente assinalar que a informação foi facilitada por Diálogo, Revista Militar. Edição, Área Jornalística OIPOL.

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