Irã tem como alvo parentes de críticos para silenciar a dissidência

Iranian singer Mohsen Namjoo in Istanbul
O regime do Irã tem como alvo o irmão do cantor iraniano Mohsen Namjoo (visto acima em Instabul em 2018) e outros parentes de críticos do regime, dizem defensores dos direitos humanos (© Arif Hudaverdi Yaman/Anadolu Agency/Getty Images)

O regime do Irã está prendendo parentes de ativistas políticos em um esforço para silenciar críticos dentro e fora do país, dizem grupos de defesa dos direitos humanos.

Em julho, o regime condenou Alireza Alinejad, irmão do proeminente crítico do regime Masih Alinejad, a oito anos de prisão por acusações violentas, segundo o Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI).

“O Irã persegue familiares de ativistas e jornalistas, ameaçando-os e processando-os sob acusações fraudulentas em processos judiciais que que não se assemelham a um devido processo legal para silenciar os críticos do Estado”, disse o diretor-executivo do CHRI, Hadi Ghaemi, em declaração em 16 de julho.

Masih Alinejad, que vive nos EUA, costuma protestar contra a lei do regime que exige que as mulheres usem hijab (lenço islâmico tradicional). O Judiciário do Irã condenou seu irmão por acusações de “assembleia e conspiração contra a segurança nacional”, “propaganda contra o Estado” e “insulto ao líder supremo”.

Brian Hook, representante especial dos EUA para o Irã, diz que o caso é de retaliação, não de justiça.

“Alireza Alinejad foi condenado a oito anos de prisão porque sua irmã, Masih, se manifesta contra a tirania dos mulás”, disse Hook em 21 de julho. “Pedimos hoje a libertação imediata de Alireza.”

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Masih Alinejad, em Nova York, em abril de 2019, se manifesta contra a lei que impõe o uso obrigatório do hijab no Irã (© Mike Coppola/Getty Images)

Logo após a prisão de Alinejad, uma dúzia de grupos de defesa, incluindo o CHRI e o Observatório dos Direitos Humanos, emitiu uma carta em 2 de outubro de 2019, acusando o regime do Irã* de silenciar críticos através da perseguição a membros de suas famílias.

“Essas detenções se encaixam em um padrão de intimidação e assédio muitas vezes realizadas por autoridades iranianas visando silenciar dissidentes e ativistas da sociedade civil dentro e fora do Irã”, disseram os grupos.

Em abril de 2020, o regime do Irã condenou o romancista Hamid Namjoo a um ano de prisão devido ao conteúdo de seus escritos e por ter suas obras publicadas no exterior. Mas o veredicto observou que ele é irmão de Mohsen Namjoo, importante músico iraniano que vive nos EUA e “cantor antirrevolucionário dissidente fugitivo”, acrescenta o CHRI.

Em 2019, o regime do Irã sentenciou Reza Khandan, marido da advogada iraniana de direitos humanos Nasrin Sotoudeh, a seis anos de prisão, de acordo com os Relatórios sobre Práticas de Direitos Humanos por País 2019, do Departamento de Estado. Khandan foi condenado por acusações que incluíam “propaganda contra o sistema” depois de expressar apoio à sua esposa, que está cumprindo mais de 30 anos de prisão por defender mulheres acusadas de violar a lei que impõe o uso obrigatório do hijab no Irã.

O filho do cineasta iraniano encarcerado Mohammad Nourizad foi julgado em abril por protestar contra o abate de um avião civil ucraniano por parte do regime. Mas a esposa de Nourizad disse ao CHRI que acredita que a acusação de seu filho, Ali Nourizad, visa pressionar o marido.

Mohammad Nourizad está na prisão por pedir que o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, renuncie.

Em uma carta de março de 2020, especialistas em direitos humanos da ONU se manifestaram, alarmados,** pelo fato de o regime iraniano estar perseguindo familiares de jornalistas da BBC.

“Seus familiares que residem no Irã têm enfrentado assédio e intimidação por parte de autoridades iranianas”, disseram os especialistas. “Em alguns casos, familiares foram privados de liberdade e mantidos em condições degradantes, e receberam ordens de pedir aos seus parentes que parassem de trabalhar para a BBC.”

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Masih Alinejad: Quando uma multidão não é o que parece

AP_20007364324207-1068x712As multidões de iranianos que compareceram ao funeral de Qassem Soleimani promovido e organizado pelo Estado não são o que parecem ser.

Em seu artigo no Washington Post, o proeminente ativista iraniano Masih Alinejad lembra aos leitores que no Irã dos mulás, apenas reuniões pró-regime são permitidas. “A mídia na República Islâmica é fortemente controlada”, diz Alinejad. “Portanto, não é difícil usar todas as ferramentas e recursos do Estado para organizar uma procissão fúnebre.”

Por outro lado, o regime faz todo o possível para oprimir as atividades da internet e impedir que a mídia faça a cobertura dos protestos maciços contra o regime. E nega às famílias dos manifestantes assassinados o direito de lamentar a morte de seus entes queridos.

Alinejad descreve* as milhares de mensagens que recebeu nas redes sociais denunciando Soleimani e observa que “alguns se queixam da pressão para comparecer a cerimônias religiosas em sua homenagem”.

É fácil de acreditar. Muitos iranianos sentem raiva e ressentimento contra governantes que recentemente mataram centenas e prenderam milhares em uma brutal repressão a protestos em todo o país. Os manifestantes levantaram, entre outras questões, a corrupção contínua do regime administrativo e o apoio às milícias “por procuração”, como os apoiados por Soleimani e a Guarda Revolucionária Islâmica–Força Quds (IRGC-QF).

Como comandante da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã por mais de 20 anos, Soleimani semeou violência sectária e exportou terrorismo. Ele foi morto em um ataque de drones dos EUA em Bagdá em 2 de janeiro, depois que milícias apoiadas pelo Irã no Iraque atacaram uma base aérea de coalizão, matando um empreiteiro dos EUA, e invadiram a Embaixada dos EUA em Bagdá.

Segundo a Reuters, as forças de segurança do regime, incluindo a IRGC-QF de Soleimani, mataram mais de 1.500 pessoas e prenderam pelo menos 7 mil na brutal repressão.

O regime também cobrou dinheiro de algumas famílias pelo retorno de corpos e impediu que parentes de manifestantes mortos realizassem memoriais públicos. Por exemplo, o regime prendeu parentes de Pouya Bakhtiari, um manifestante de 27 anos, para impedir que sua família realizasse um funeral público para ele.

“Eu e outras pessoas temos dito há anos que as atuais condições repressivas no país não são sustentáveis ​​e que mais protestos irromperiam”, escreve Alinejad. “Estávamos certos. E direi novamente: Não se deixe enganar. O Irã verá mais protestos antirregime.”

Masih Alinejad trabalha para o serviço persa da Voz da América.

É procedente assinalar que a informação foi facilitada por ShureAmerica. Edição, Área Jornalística Oipol.

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