Brasil: ONG do Distrito Federal ajuda crianças e adolescentes com HIV a superar o preconceito


Brasília – Desconstruir o preconceito contra pessoas que vivem com HIV é um dos objetivos do Ministério da Saúde, que lança hoje (1º) uma campanha para marcar o Dia Mundial de Luta contra a Aids. O isolamento social, as agressões físicas e psicológicas e os sintomas de depressão estão entre os problemas que atingem essas pessoas.

Vicky Tavares é presidente da organização não governamental (ONG) Vida Positiva, localizada em Taguatinga, cidade do Distrito Federal. Há oito anos, ela cuida de crianças e jovens que têm o vírus. No grupo, há sete adolescentes na faixa de 13 a 17 anos de idade. Para ela, o preconceito está presente no dia a dia dos jovens soropositivos e é cada vez mais intenso.

“Para um jovem é complicado viver com o HIV. A sociedade e o Estado como um todo não compreendem isso. Controlamos a carga viral dos nossos meninos, mas infelizmente não zeramos o preconceito das pessoas, seja nas cidades, com os professores, vizinhos. Diariamente presenciamos histórias impressionantes”, destaca.

Entre os casos de preconceito, ela lembra um fato ocorrido na escola em que um dos adolescentes estuda. A diretora da instituição descobriu que ele tinha interesse em se relacionar com algumas meninas da escola e, segundo Vicky, o jovem foi repreendido por isso. Caso ele não se afastasse das garotas, a diretora ameaçou contar às mães que suas filhas estavam envolvidas sentimentalmente com um soropositiv.

Augusto Fontes*, 14 anos, é um dos adolescentes assistidos pela ONG e se considera alvo constante de preconceito no ambiente escolar. Ele afirma que o grupo de amigos é restrito e só consegue se sentir protegido quando está na ONG.

«A maioria das pessoas tem preconceito e por isso muita gente se afasta de mim. Aqui [na ONG] vivo mais feliz, sinto como se realmente estivesse na minha casa. Os meninos são como meus irmãos e a Vicky é como se fosse a minha mãe. Somos uma família.»

Apesar das histórias de preconceito, vovó Vicky, como é tratada na instituição, orgulha-se da garra dos meninos e meninas. Uma jovem, que usa o pseudônimo Marina Sophia, receberá hoje (1º) do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, um netbook pelo segundo lugar no Concurso Cultural: Vidas em Crônica – Jovens e a Aids no Brasil.

A proposta do ministério foi selecionar histórias reais, escritas por jovens que tenham o HIV ou convivam com portadores do vírus. Os casos servirão de base para a edição de publicações especiais do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais da pasta.

Apesar dos esforços do Poder Público em relação à conscientização, Vicky destaca a necessidade de campanhas informativas nos meios de comunicação não apenas no Dia Mundial de Luta contra a Aids, mas ao logo do ano.

“Todos os dias precisamos saber respeitar as diferenças. As campanhas precisam ser contínuas. Acredito que, a partir dessas ações, a sociedade em geral estará mais disposta a repensar seus valores.”

A ONG oferece às crianças e aos adolescentes, além das refeições diárias, assistência psicológica e social. Para ajudar na complementação da renda na casa, a presidente da instituição lançou a farofa da vovó Vicky, que é vendida numa padaria perto da ONG.

*Nome fictício para preservar a identidade do adolescente

Fonte Empresa Brasil de Comunicação

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