Em preparação para a Reunião de Alto Nível de junho, relatório apresenta uma visão geral dos esforços necessários para ajudar os países a alcançar o acesso universal a serviços de HIV e impedir novas infecções pelo HIV, a discriminação e mortes relacionadas à AIDS.
NAIRÓBI– Trinta anos após o início da epidemia de AIDS, os investimentos na resposta à AIDS estão dando resultados, segundo novo relatório divulgado hoje pelo Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon. Intitulado União pelo Acesso Universal: em direção a zero novas infecções pelo HIV, zero discriminação e zero mortes relacionadas com a AIDS, o relatório salienta que a taxa global de novas infecções por HIV está em declínio, que o acesso ao tratamento está em expansão e que o mundo tem feito progressos significativos na redução da transmissão do HIV de mãe para filho.
Entre 2001 e 2009, a taxa de novas infecções por HIV em 33 países, incluindo 22 na África subsaariana, caiu em pelo menos 25%. Até o final de 2010, mais de seis milhões de pessoas estavam em tratamento antirretroviral em países de média e baixa renda. E, pela primeira vez, em 2009, a cobertura global dos serviços de prevenção materno-infantil da transmissão do HIV foi superior a 50%.
Mas, apesar das conquistas recentes, o relatório ressalta que os ganhos são frágeis. Para cada pessoa que inicia o tratamento antirretroviral, duas são infectadas com o HIV. Todos os dias, sete mil pessoas são infectadas, incluindo mil crianças. Fracas infraestruturas nacionais, o financiamento de déficits e a discriminação contra as populações vulneráveis ??estão entre os fatores que continuam dificultando o acesso à prevenção, ao tratamento e a serviços de cuidado e apoio.
O relatório do Secretário-Geral, com base em dados apresentados por 182 países, oferece cinco principais recomendações a serem analisadas por líderes globais em uma Reunião de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU sobre a AIDS, de 8 a 10 de junho de 2011.
“Os líderes mundiais têm uma oportunidade única neste momento crítico para avaliar as realizações e as lacunas na resposta global à AIDS,” disse o Secretário-Geral em conferência de imprensa na capital queniana. “Temos de tomar decisões corajosas que transformarão dramaticamente a resposta à AIDS e nos ajudarão a avançar para uma geração livre do HIV.”
“Após trinta anos de epidemia, é imperativo para nós, reenergizar a resposta atual para o sucesso nos próximos anos,” disse o Diretor Executivo do UNAIDS, Michel Sidibé, que se juntou a Ban para o lançamento do relatório. “Os ganhos na prevenção do HIV e no tratamento antirretroviral são importantes, mas precisamos fazer mais para impedir as pessoas de serem infectadas, uma revolução na prevenção do HIV é hoje mais necessária do que nunca.”
Rebecca Auma Awiti, uma mãe que vive com HIV e coordenadora de campo da organização não-governamental Mulheres Contra a AIDS, do Quênia, contou sua história na conferência de imprensa. “Graças ao movimento pelo acesso universal, minhas três crianças nasceram sem HIV, e sou capaz de vê-las crescer por causa do acesso ao tratamento,” disse.
Mobilização de impacto
No relatório, há cinco recomendações feitas pelo Secretário-Geral da ONU para reforçar a luta contra a AIDS:
- Aproveitar a energia dos jovens para uma revolução na prevenção do HIV;
- Revitalizar o impulso para alcançar o acesso universal à prevenção, ao tratamento, a cuidados e ao apoio até 2015;
- Trabalhar com os países para realizar programas de HIV mais rentáveis, eficientes e sustentáveis;
- Promover a saúde, os direitos humanos e a dignidade das mulheres e meninas;
- Certificar a responsabilidade mútua na resposta à AIDS para traduzir os compromissos em ações.
O Secretário-Geral apela a todas as partes interessadas que apóiem as recomendações contidas no relatório e as usem para trabalhar em prol de seis metas globais:
- Reduzir em 50% a transmissão sexual do HIV, inclusive entre as populações-chave, como os jovens, homens que fazem sexo com homens e no contexto do trabalho sexual, bem como prevenir todas as novas infecções pelo HIV como resultado do uso de drogas injetáveis;
- Eliminar a transmissão do HIV de mãe para filho;
- Reduzir as mortes de pessoas vivendo com HIV por decorrência da tuberculose em 50%;
- Garantir o tratamento do HIV para 13 milhões de pessoas;
- Reduzir em 50% o número de países com restrições de entrada e residência relacionadas ao HIV;
- Garantir o igual acesso à educação para crianças órfãs e vulneráveis ??devido à AIDS.
Dado que o financiamento internacional para a assistência ao HIV diminuiu, o relatório incentiva os países a priorizarem o financiamento para programas de HIV, inclusive países de baixa e média renda que tenham a capacidade de cobrir os seus próprios custos relacionados ao HIV. Ele também salienta a importância de garantir que a responsabilidade compartilhada para assegurar a resposta à AIDS tenha recursos suficientes para os próximos anos.
O relatório e mais informações sobre a Reunião de Alto Nível sobre a AIDS podem ser encontrados online clicando aqui.


Deja un comentario