Brasil: Zoneamento da motosserra


Fonte Greenpeace Brasil– Fim das eleições, é hora de voltar ao trabalho. E foi isso que deputados estaduais do MT fizeram semana passada, embalados pelo som de motosserras e com cheiro de floresta queimada.

Como as próximas eleições são só daqui a 4 anos, os deputados aproveitaram e já aprovaram, por 19 votos a 1, alterações no plano de Zoneamento Econômico Ecológico do Mato Grosso, mandando as favas anos de estudos técnicos e colocando no texto permissões para mais desmatamento.

O ZEE aprovado diminui em 73% a proteção original em forma de Unidades de Conservação, e transforma o MT em uma imensa fazenda. Até Terras Indígenas foram questionadas pela bancada da motosserra matogrossense. Resta agora saber se o governador Silval Barbosa (PMDB), ex-vice de Blairo Maggi (recém eleito Senador), vai se candidatar ao prêmio «Motosserra de Ouro», e aprovar o ZEE.

O que acontece no Mato Grosso agora é o exemplo típico de como os poderes estaduais estão suscetíveis a pressões locais: o processo de consulta pública foi interrompido pelo rolo compressor ruralista, que jogou fora o texto construído em audiências públicas – algumas delas chegaram a ter 7000 pessoas.

O ICV havia inclusive organizado um seminário para depois das eleições, com o intuito de debater com a sociedade e os ruralistas possíveis caminhos para o ZEE. Não deu tempo de acontecer, foi cancelado frente ao tratoraço.

Isso deveria servir de recado para o nosso congresso, onde a bancada ruralista, capitaneada pelo deputado Aldo Rebelo, trama a morte do Código Florestal e sinaliza que o crime ambiental compensa.

Entre as propostas da trupe está a de transferir aos Estados a decisão sobre a redução de APPs e de reserva legal, aumentando desta forma as áreas para a destruição de florestas. Isso sem falar na premiação que se dá a desmatadores…

Pelo jeito, os deputados do MT entenderam o recado e já se anteciparam a qualquer decisão de BSB, mostrando a todos como pretendem tratar nossas florestas: na base da motosserra.

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